Palco de Ideias

Sobre a ideia, Platão já dizia: a ideia da coisa é uma projeção do saber: ao verem a coisa, os olhos, emitindo raios de luz, projetam a imagem dessa mesma coisa, que existe em nós como princípio universal. Para Aristóteles, as coisas emitem cópias de si próprias, através da luz, cópias assimiladas pelos sentidos e interpretadas pelo saber inato ou adquirido. Para este blog, ideia é qualquer coisa interessante o suficiente para merecer algumas linhas…

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Tudo muda o tempo todo no mundo e em cada um de nós

Esse filme publicitário há muito vem me fazendo pensar bastante sobre as mudanças que sofremos e vivemos durante a vida. Acredito que muita gente também tem a mesma reação toda vez que vê a propaganda na TV: “Nossa, é bem assim mesmo, né?!”.

Partindo pra um lado filosófico, o fato é que essa ‘metamorfose ambulante’, como dizia o poeta, é algo muito mais profundo. Esse videozinho ilustra de uma forma bastante próxima à cada um de nós e bem simples que a verdade está em constante mutação.

Não é só a minha verdade que muda o tempo todo, não. Nem a sua. Não somos dois fracos de personalidade, perdidos nos caminhos e escolhas que a vida nos oferece. A verdade. É ela que muda. E muda o tempo todo, pra todo mundo.

A verdade dos norte-americanos, dos iraquianos, dos indonésios, dos europeus, dos brasileiros, dos cientistas, dos jornalistas, da história, da civilização humana. Essa verdade está mudando agora, nesse minuto, enquanto eu escrevo e enquanto você lê.

No budismo existe um ensinamento que fala das quatro nobres verdades: a existência do sofrimento, sua origem e cessação, e o caminho. Mas, também no budismo, outro pensamento diz que não existe o sofrimento, nem causa, nem cessação, nem caminho. Será isso uma contradição? Não.

O que acontece é que um fala sobre a verdade relativa e outro sobre a verdade absoluta. Quando diz que não existe sofrimento, significa que ele é composto inteiramente por coisas que não são sofrimento. Se você sofre ou não, isso vai depender de muitas coisas. O ar frio pode doer quando não usamos roupas quentes, mas, com as roupas adequadas, o ar frio pode ser tudo o que você queria pra passar um fim de semana na cama embaixo dos cobertores.

Um antigo filósofo, Protágoras de Abdera, dizia, segundo o testemunho de Platão, que “o homem é a medida de todas as coisas”. Ou seja:

“Não existe verdade absoluta, mas tão somente opiniões relativas ao homem (este vinho, delicioso para o amador, é amargo para o enfermo)”.

Isso é relativismo puro! E está muito mais presente na nossa vida do que pensamos (antes desta reflexão, é claro!). A verdade de hoje não era verdade há 10 anos. Nem há 100 anos. Quem dirá séculos atrás.

E essa relatividade existe não só nesse âmbito do todo, de humanidade. Cada um de nós tem a sua relatividade também. Hoje, a necessidade do trabalho pra sobrevivência financeira e intelectual é uma verdade absoluta pra mim. Não era há 15 anos. E também pode deixar de ser caso eu seja sorteada na loteria.

Assim como o fato de acreditar que o casamento é uma instituição falida era uma verdade pra mim até pouco tempo. Mas, agora, perto dos 30, essa verdade já não é mais tão absoluta.

Com a proximidade do encerramento do meu Ciclo de Saturno, e todo o questionamento que ele traz, minha única verdade absoluta é: tudo é relativo e a verdade muda conforme o tempo, o contexto e a minha conta bancária.

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