Palco de Ideias

Sobre a ideia, Platão já dizia: a ideia da coisa é uma projeção do saber: ao verem a coisa, os olhos, emitindo raios de luz, projetam a imagem dessa mesma coisa, que existe em nós como princípio universal. Para Aristóteles, as coisas emitem cópias de si próprias, através da luz, cópias assimiladas pelos sentidos e interpretadas pelo saber inato ou adquirido. Para este blog, ideia é qualquer coisa interessante o suficiente para merecer algumas linhas…

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Recomeço

Mude…
Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa, mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por um tempo o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente pela praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama… depois, procure dormir em outra cama.
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais… leia outros tipos de livros.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas
cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia, o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome um novo tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado… outra marca de sabonete, outro creme dental… tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar outro emprego, uma
nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.Experimente coisas novas.
Troque novamente. Mude de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores de que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!

(Clarice Lispector)

Contemplar o belo

Quem não contempla o belo torna-se mal humorado e, às vezes, pessimista. Nem ele se suporta. Treine apreciar os pequenos eventos, treine refinar sua capacidade de observação.

Diversas doenças auto-imunes, cardíacas, alguns tipos de câncer são desencadeados por transtornos emocionais, em especial pelo mau humor. Uma pessoa contemplativa e bem-humorada vive melhor e por mais tempo. Ser negativista e mal humorado não resolve problemas, mas abrevia os dias…
(12 semanas para mudar uma vida, Augusto Cury)

É impossível não refletir sobre a vida, os objetivos, os caminhos, as escolhas ou as atitudes nessa época de início de ano. Um tempo de recomeço. E desta reflexão surgiram várias perguntas, algumas sem respostas..

O que estou fazendo com o meu tempo? Como está minha dedicação à mim mesma? Em que lugar tenho colocado os pequenos prazeres da vida? Tenho aproveitado os momentos belos? Estou conseguindo manter minha qualidade de vida?

Pra essas perguntas, as respostas não são nada animadoras. E é nesse momento que percebo que, quatro anos após me mudar para uma das maiores metrópoles do mundo, acabei sendo engolida por ela. Não sinto mais o cheiro da chuva,  não sento mais em frente à minha casa e sinto a densidade do ar, não assisto mais aos pássaros,  não observo mais as nuvens nem as estrelas, não vejo mais o pôr do sol, não deito mais à sombra de uma àrvore nem brinco com suas formas, não ando mais com os pés descalços pisando no chão, na terra, não tenho mais tempo pra nada… E quando tenho, só quero descansar da maratona de trabalho.

As horas voam, os minutos passam feito foguetes e, assim, a vida se torna trabalho, trabalho, preocupações, obrigações, compromissos, horários e deveres. Percebi que não é possível encontrar prazer nesse roteiro. Não tem graça não ver graça em nada, por simplesmente não ter tempo pra “bobagens”.

Bobagem é viver uma vida sem cor, ranzinza, sem sorrisos, sem um silêncio aconchegante, sem apreciar o que está ao redor. Sinto saudade de ter disposição pra não fazer absolutamente nada, mas um nada produtivo, prazeroso. Sentar no gramado de um parque e ficar horas por lá, lendo um bom livro, passeando entre as árvores, observando os animais, as pessoas, o céu. Que saudade do céu!

E depois dessa reflexão, decidi que, entre tantas outras coisas, contemplar o belo está entre as minhas metas para este ano que começou. Chega de ocupar todos os minutos do dia com tarefas e responsabilidades. Quero os pequenos prazeres de volta.

E que 2011 seja um ano de beleza, cores, alegrias e magia pra todos!

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