Palco de Ideias

Sobre a ideia, Platão já dizia: a ideia da coisa é uma projeção do saber: ao verem a coisa, os olhos, emitindo raios de luz, projetam a imagem dessa mesma coisa, que existe em nós como princípio universal. Para Aristóteles, as coisas emitem cópias de si próprias, através da luz, cópias assimiladas pelos sentidos e interpretadas pelo saber inato ou adquirido. Para este blog, ideia é qualquer coisa interessante o suficiente para merecer algumas linhas…

Pitadas culturais

É sempre tão bom achar dicas de programas interessantes pra fazer aos fins de semana, ou mesmo nas noites de segunda a sexta, não é? E, por gostar bastante, procuro muito e encontro algumas coisas bem bacanas. Por isso, decide começar a compartilhar por aqui também. Já faço isso pelo Twitter e Facebook, mas por aqui poderei oferecer mais informações como local, horário, ingressos e, quem sabe, uma breve resenha quando for possível.

Então, caros leitores, a partir de hjoje estreio por aqui a categoria Pitadas culturais. Serão sempre textos pequenos e objetivos. E seguem as primeiras pitadas:

- Neste próximo fim de semana, 5 e 6 de maio, São Paulo recebe mais uma Virada Cultural. Tem sempre muita coisa boa pra quem tem coragem de enfrentar as multidões que circulam pelas ruas do centro da cidade. Mas, a inovação do ano será nos trens do Metrô:os trens da Linha 2 – Verde – aquela que passa pela Avenida Paulista e termina, ou começa, na Vila Madalena – serão palco para apresentações de dança e mixagem de DJs dentro dos vagões! Vai ser, no mínimo, pitoresco…
Quando: De Sábado, 5 de maio de 2012, às 18h, a Domingo, 6/5, às 18h.
Veja a programação completa no site www.viradacultural.org .

- Ainda como uma maneira alternativa de aproveitar a Virada, a Jornada Fotográfica também vai explorar as atividades culturais e registrar tudo o que acontecerá nas ruas do centro. O mais interessante: as fotos serão disponibilizadas na rede em tempo real. A ideia é documentar o centro da cidade durante as 24 horas do evento e disponibilizar as imagens em tempo real na internet. O ponto de encontro será no Telecentro Olido – Cibernarium, que fica na Av. São João, 473 – Centro, próximo às estações República, Anhangabaú e São Bento do Metrô. Lá havérão computadores para descarregar as fotos e fazer a publicação. A proposta é que durante as 24 horas diversos grupos saiam para fotografar e que cada grupo volte depois de três horas para descarregar as imagens. O participante deve trazer carteira de identidade (RG) para ter acesso ao Telecentro e, se possível, o leitor de cartão para poder descarregar as fotos. Para a inscrição, basta enviar nome, e-mail e telefone para andredouek@uol.com.br, até 4/5. A coordenadação e idealização da Jornada Fotográfica é de André Douek.
Quando: De Sábado, 5 de maio de 2012, às 18h, a Domingo, 6/5, às 18h.
Onde: Ponto de encontro no Telecentro Olido – Cibernarium, Av. São João, 473 – Centro. Próximo às estações República, Anhangabaú e São Bento do Metrô.
Inscrições: Enviar nome, e-mail e telefone para: andredouek@uol.com.br, até 4/5.

- Mas, não só de Virada Cultural vive São Paulo. No dia 29 de maio, Wagner Moura, intérprete do Capitão Nascimento em “Tropa de Elite” e cantor da Banda Sua Mãe, cantará o repertório do Legião Urbana, acompanhado pelo guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá, num show tributo no Espaço das Américas. A MTV vai exibir o show pela televisão. Nos últimos dias, os organizadores têm tido problema com relação ao nome “Legião Urbana”, marca que pertence a uma determinada empresa. Agora, eles vão ter que pensar em outro nome para a homenagem a um dos poetas e músicos mais importantes da história recente da cultura brasileira.
Quando: 29 de maio
Onde: Espaço das Américas, São Paulo/SP
Quanto: Entre R$ 100 e R$200
Mais informações pelo site www.ticket360.com.br

Led’s Tattoo – nem perca seu tempo!

No último fim de semana, um feriado, aproveitei a falta de trânsito, de pressa, de compromissos e fui ao melhor estúdio de tatuagem de São Paulo – Led’s Tattoo – conversar sobre algumas ideias que quero rabiscar pelo corpo. Já na chegada, o título de “melhor estúdio de tatuagem” começa a desmoronar… Um garoto faz um interrogatório sobre o que se quer fazer, onde, que cor, que tamanho e coloca uma série de restrições com o ‘cuidado’ de dar esclarecimentos do tipo: “já adianto que essa frase que você quer o tatuador não vai fazer”. Cuidado necessário, afinal, antes de mais nada o momento de fazer uma tatuagem é sempre algo especial pra quem gosta de se desenhar…

“Ok”, pensei. “Ao conversar com o tatuador ele provavelmente vai me dar opções e sugestões de como adaptar a frase para um modelo que eu possa faze-la”. O garoto imprimiu alguns modelos de fontes, me levou ao andar de cima e pediu pra esperar enquanto ele chamava o tatuador pra conversar comigo.

Enquanto isso, aproveitei pra olhar alguns modelos de desenhos e, sinceramente, nada de encatador. Desenhos óbvios, como flores, tribais, tubarões.. Nem as cores pareciam se destacar. Existe um estúdio em São Paulo, de uma tatuadora sul-mato-grossense, chamado Analogic Love (antigo True Love), que, esse sim, parece trabalhar com tintas especiais e pra quem gosta de tatuagem com cores, não há lugar melhor! Mas, tudo bem, isso é questão de gosto e estilo…

Voltando à tragédia do Led’s: depois de alguns minutos de espera pelo tatuador, o garoto voltou sozinho, com minhas opções ainda nas mãos e me informou que “o tatuador não ia desenhar aquela frase no meu tornozelo; que se eu quisesse seria na costela; e que, pra isso, eu teria que aumentar a frase; e, mais, caso eu ainda assim quisesse fazer o desenho, a hora custa x reais e eu deveria marcar horário na recepção”. Simples assim!

“Eu teria que aumentar a frase”? Como é que eu vou pedir pro Raul Seixas reescrever o verso se nem o Chico Xavier está mais aqui pra me ajudar com isso? O problema não foi o desenho ser inviável pro local que eu gostaria, mas o tatuador sequer se deu ao trabalho de me atender, de me esclarecer, de me sugerir saídas… Fiquei chocada com a falta de profissionalismo do estúdio, com a falta de respeito por quem o procura por ser “o melhor estúdio de tatuagem do Brasil”. Sem contar que a hora custa algumas centenas de reais, portanto, não se trata de favor, nem de voluntariado. Pode até ser que os tatuadores tenham talento, mas eles precisam com urgência de aulas de etiqueta no atendimento ao cliente, noções básicas de marketing, de comunicação e de promoção da marca.

O estúdio tem sua fama hoje, mas qualquer leigo sabe que o trabalho de manutenção/consolidação de uma marca é fundamental pra mantê-la no topo. Caso contrário, vira uma queda livre! Reputação é o alicerce de qualquer logotipo! E essa construção e consolidação da marca é uma trajetória, um muro em que cada ação/situação, cada fato é um tijolo. Cada vez que a empresa erra, um tijolo cai do muro. Se começarem a cair mais tijolos do que os que estão sendo colocados no muro, é uma questão de tempo até que se tenha uma crise de imagem.

E, encerro o desabafo, com uma dica: nem perca seu tempo procurando esse estúdio de grife pra fazer sua tatuagem. Existem muitos profissionais talentosos por aí. No final das contas, o melhor e mais garantido é a boa e velha propaganda boca-a-boca. Pegue referências com amigos e conhecidos que, certamente, você terá boas opções pra consultar.

Todo início tem um fim e um meio

“Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual, eu do meu lado aprendendo a ser louco, maluco total, na loucura real”.

Só depois de assitir o documentário Raul Seixas: o início, o fim e o meio é que fica claro o quanto essa frase – e tantas outras proféticas – ilustrava perfeitamente o que era Raul Seixas. Sua inspiração vinha das suas próprias reflexões, angústias e do que acontecia no seu dia a dia. Não são daquelas letras que falam da dor de cotovelo do vizinho, da amargura de um anônimo e por aí vai… Já por isso, são tão intensas e despertam sentimentos tão diferentes.

Raul, como quase todos os outros grandes pensadores, não coube dentro de sua própria loucura e extrapolou. Me parece que eles todos buscam nas drogas uma fuga dos seus pensamentos brilhantes, incríveis, mas profundos demais.. E nas profundezas, não tem jeito, sempre reina a escuridão.

E quando um maluco total encontra no seu caminho outros malucos, mais malucos do que ele mesmo? Em determinado momento do documentárioé relatada a passagem do Raul pela Sociedade Alternativa, a qual fundou e que, pra minha surpresa, era uma espécie de ceita – e não uma parte da sociedade que andava ao lado dos costumes comuns, normais e esperados. Ou seja, não era um comportamento! Era uma filosofia baseada nos Escritos do ocultista Aleister Crowley e sua Lei de Thelema: “Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.” Claro, esse lema também foi parar na música tão famosa….

O fato é que Raul Seixas foi um marco na música, na cultura e na cena alternativa do país. Uma das provas desse reconhecimento é a Marcha do Raul, realizada todo 21 de agosto, desde 1990 quando o rockeiro faleceu. Normalmente, a concentração é em  frente aoTeatro Municipal de São Paulo, a partir das 12h; e a passeata tem início às 18h, em diração à Praça da Sé. Os fãs podem ficar atentos a blogs como o Cantina do Rock e o Raul Seixas Oficial Fã-Clubepara saber a programação de 2012.

E, lógico, Rauzitos, corram ao cine e assistam essa deliciosa história tragicômica!

Veja a programação nas salas de São Paulo:

Mas, o que é o homem?

Que a obra e a vida de Carlos Drummond de Andrade são preciosidades para a literatura, a arte, a poesia, a música e a história do país, nisso não há novidade. Mas, depois de assistir ao documentário Consideração de um poema (Gustavo Rosa de Moura, Eucanaã Ferraz e Flávio Rosa de Moura, Brasil, 2011), durante o 17º Festival É Tudo Verdade, descobri outras graças nos textos desse incrível pensador. E outros poemas já conhecidos ecoam na memória, como se para lembrar do seu valor, da sua mensagem que quer, mais do que nunca, dizer algo agora, para você.

Compartilho aqui uma reflexão interessante:

Especulações em torno da palavra homem 

Mas que coisa é homem,
que há sob o nome:
uma geografia?

um ser metafísico?
uma fábula sem
signo que a desmonte?

Como pode o homem
sentir-se a si mesmo,
quando o mundo some?

Como vai o homem
junto de outro homem,
sem perder o nome?

E não perde o nome
e o sal que ele come
nada lhe acrescenta

nem lhe subtrai
da doação do pai?
Como se faz um homem?

Apenas deitar,
copular, à espera
de que do abdômem

brote a flor do homem?
Como se fazer
a si mesmo, antes

de fazer o homem?
Fabricar o pai
e o pai e outro pai

e um pai mais remoto
que o primeiro homem?
Quanto vale o homem?

Menos, mais que o peso?
Hoje mais que ontem?
Vale menos, velho?

Vale menos, morto?
Menos um que outro,
se o valor do homem

é medida de homem?
Como morre o homem,
como começa a?

Sua morte é fome
que a si mesma come?
Morre a cada passo?

Quando dorme, morre?
Quando morre, morre?
A morte do homem

consemelha a goma
que ele masca, ponche
que ele sorve, sono

que ele brinca, incerto
de estar perto, longe?
Morre, sonha o homem?

Por que morre o homem?
Campeia outra forma
de existir sem vida?

Fareja outra vida
não já repetida,
em doido horizonte?

Indaga outro homem?
Por que morte e homem
andam de mãos dadas

e são tão engraçadas
as horas do homem?
mas que coisa é homem?

Tem medo de morte,
mata-se, sem medo?
Ou medo é que o mata

com punhal de prata,
laço de gravata,
pulo sobre a ponte?

Por que vive o homem?
Quem o força a isso,
prisioneiro insonte?

Como vive o homem,
se é certo que vive?
Que oculta na fronte?

E por que não conta
seu todo segredo
mesmo em tom esconso?

Por que mente o homem?
mente mente mente
desesperadamente?

Por que não se cala,
se a mentira fala,
em tudo que sente?

Por que chora o homem?
Que choro compensa
o mal de ser homem?

Mas que dor é homem?
Homem como pode
descobrir que dói?

Há alma no homem?
E que pôs na alma
algo que a destrói?

Como sabe o homem
o que é sua alma
e o que é alma anônima?

Para que serve o homem?
para estrumar flores,
para tecer contos?

Para servir o homem?
Para criar Deus?
Sabe Deus do homem?

E sabe o demônio?
Como quer o homem
ser destino, fonte?

Que milagre é o homem?
Que sonho, que sombra?
Mas existe o homem?

Aplausos e sorrisos para o dia 27 de março

Homenagens ao Circo e ao Teatro fizeram de 27 de março o mais artístico dos 365 dias do ano.

Nesse dia, em 1897, nascia o palhaço Piolin, na cidade de  Ribeirão Preto, interior de São Paulo. E foi em homanegem a ele que o dia foi escolhido para nos lembrar da graça e da magia que os artistas circenses levam para as plateias de todos os cantos do mundo. Aliás, você sabia que as primeiras tentativas de  apresentações em circo vieram da China? Lá, a monarquia se divertia com a apresentação dos contorcionistas e equilibristas.

Desde 1961, esse mesmo 27 de março homenageia outra arte: o teatro. Comemorado em todo o mundo, a data foi estabelecida pelo Instituto Internacional do Teatro, com sede na França.

Que esse espírito de risadas e aplausos inspire a todos! A mim, inspirou e me fez voltar à mais essa arte: a escrita. Welcome back!

Virada sustentável: o meio ambiente não é uma brincadeira de criança

Hoje, 5 de junho, Dia do Meio Ambiente, São Paulo recebe mais uma  atividade cultural composta por inúmeras atrações – em diferentes pontos da cidade: é a Virada Sustentável.

Viria muito a calhar se não fosse por um detalhe: o público alvo está errado. As atrações, conforme publicado pela Agência Estado, são direcionadas às crianças; mas são os adultos que precisam urgentemente de liçoes sobre como preservar (o que resta) do planeta.

O governo também precisa de umas aulas. Por exemplo, tem que ser muito persistente e consciente pra evitar jogar lixo no chão pelas ruas da cidade; é bem difícil encontrar lixeiras no caminho. Outro exemplo, e a fiscalização sobre o uso irracional de água por aquelas pessoas que até hoje lavam ruas e calçadas com jatos de água? Como punir se a própria prefeitura também faz isso?!!

Como culpar as pessoas que não trocam de jeito nenhum seu carro pelo transporte coletivo? Se você já tentou essa troca sabe do que eu estou falando… Eu duvido muito que o prefeito tenha conhecimento do que é ficar horas e horas esperando passar um ônibus em que você consiga entrar – pra depois ser esmagada até ser expelida quando chegar ao seu destino; ou então, se ele enfrentou o metrô nos horários em que o rodízio impede as pessoas de saírem com seus carros… Não, não é possível deixar o carro em casa com um transporte coletivo como esse..

Então, comemorar o dia do meio ambiente está muito, muito longe de acontecer. E que essa iniciativa de promover conscientização e conhecimento se estenda àqueles que realmente detroem a natureza na cidade: nós, adultos! Porque esse não é um assunto pro futuro,  é uma preocupação bastante presente, dia após dia, e cada vez mais grave!

Consulta popular sobre o comércio de armas no Brasil: Deja vu ou oportunismo?

Há menos de 6 anos, milhões de brasileiros foram convocados a ir às urnas para votar sobre a legalização ou não da comercialização das armas no país.

No referendo de 23 de outubro de 2005, fomos questionados se “o comércio de armas de fogo e munição deveria ser proibido no Brasil.” Decidimos pelo não! Quase 64% dos cidadãos, ou aproximadamente 60 milhões de pessoas, rejeitaram a proposta de legalização.

Mas, se essa decisão já foi tomada há tão pouco tempo, porque os jornais e – principalmente – os nossos parlamentares só discutem isso nos últimos dias?

O que houve com a Reforma Política? Tão importante pra colocar em ordem nossas casas legislativas e fazer o Brasil andar (pra frente).

E a Reforma Tributária? Necessária pra diminuir o rombo que os impostos fazem nas contas de empresas e pessoas que tentam ‘dar certo nesse país incerto’.  

O que dirão então sobre as grandes pautas que deveriam estar na prioridade das sessões na Câmara, no Senado e dos gabinetes desses que decidem pelo nosso futuro?

Esse oportunismo dos políticos é tão medíocre. Só não sei se é tão medíocre quanto a falta de posicionamento (ou liberdade financeira?)  dos veículos de comunicação, que embarcam nessa ‘nova velha campanha’ e esquecem de cumprir o dever de trabalhar em prol da informação da sociedade. Mas,  lamentavelmente, só o que vemos é uma desinformação sem fim…

O que é o amor pra você?

É pensar em chegar em casa e ter alguém te esperando pra conversar, pra contar os fatos do dia, pra rir do que deu errado, pra comemorar junto o que deu certo…?

É sentir o coração preenchido, mesmo quando não seja por uma outra pessoa, mas por você mesmo. É estar completa, mesmo que não haja, no momento, a outra metade da laranja em cena…?

É  olhar pra uma pessoa e ver beleza em todos os detalhes, em todas as linhas, em todas as imperfeições…?

É sentir-se aconchegada num abraço, segura com a companhia, protegida…?

É dizer um tchau aguardando ansiosamente o próximo oi?

Serão tantas as formas de amar.. ou todas elas são apenas manifestações diferentes de um mesmo sentimento?

O fato é que não existe vida sem o amor. O amor a si mesmo, o amor pela própria vida e, depois, o amor ao próximo.

Na era da instantaneidade, falta comunicação a longo prazo

De que adianta uma empresa gastar milhões e milhões de dólares em campanhas publicitárias para consolidar a marca, fortalecer o posicionamento, inserir o produto na mente dos consumidores se, no momento mais importante de ação, ela falha? É impressionante como, até hoje, a maioria das grandes empresas ainda não sabe que momento é esse..

Investir em campanhas com belas imagens, textos envolventes, trilha cativante é sim fundamental! Afinal é preciso ser visto para ser lembrado. No entanto, ainda mais importante é investir no treinamento de pessoal. Investir na fidelização do funcionário. Investir na comunicação com o funcionário e do funcionário.

Aqui está o segredo: a comunicação interna. Não aquela da disciplina dos cursos de Relações Públicas e Jornalismo, apesar de elas serem uma das ferramentas pra fazer isso funcionar. Falo da comunicação entre os diretores, a alta gerência e todos os outros níveis de funcionários da empresa. Da comunicação entre funcionários do mesmo escalão. Da comunicação entre as pessoas que trabalham na empresa.

Quando as pessoas se comunicam, se envolvem, se apoiam, se ajudam. Tudo isso parece besteira, mas sabe onde vai refletir? Naquele atendimento cretino que você recebe no call center da TIM, por exemplo. Ou no atendimento impecável do prestador de serviço vestido com a camisa da Porto Seguro.

São dois extremos que caminham lado a lado. Uma pessoa que não sabe o que faz, pra quê faz, pra quem faz e por que faz, não vai fazer bem feito. Certo? Ao contrário, aquele que se sente inserido na empresa, que percebe o valor do seu trabalho para o todo, a importância da sua dedicação para que o processo seja positivo, vai ter motivação pra dar o melhor que pode.

É aqui que entra a comunicação como ferramenta. E se a TIM usasse os milhões gastos no cachê do Blue Man Group, por exemplo, pra organizar workshops e treinamentos intensivos pra que seus funcionários do call center saibam resolver os problemas dos clientes que ligam pedindo ajuda? Será que não traria muito mais retorno a longo prazo?

As empresas se perdem no meio dos milhões faturados ano após ano e esquecem dos valores e da visão de que a empresa tem vida longa, muito longa… Nós, consumidores, deveríamos agir mais contundentemente contra os absurdos que sofremos por aí.. Pra ilustrar um pouco o que estou falando, veja esse vídeo.

E você, já viu de perto esse tal de bullying?

Ontem assisti à peça Jeremias Não Quer Mais Sonhar que fala sobre o sofrimento de um adolescente que é constantemente ridicularizado e intimidado por colegas na escola e, nesse caso, até pelos pais. Isso é o bullying. Tema que esteve na moda na imprensa há bem pouco tempo.

Enquanto os atores encenavam, era impossível não remeter cada cena à situações vividas na escola. Lembrei daquela colega que era sempre motivo de piada, tinha mil apelidos – todos degradativos, é claro -, vivia acanhada, não conseguia fazer amigos.. Daquele amiguinho que vivia apanhando dos outros meninos que se juntavam pra rir do jeito, da roupa, do cabelo e de tudo o que aquele coitadinho fizesse.. E pensava: mas nós éramos tão crianças pra fazer uma maldade desse tamanho!

O bullying na escola me assusta muito mais que essa mesma prática no trabalho ou em qualquer outro ambiente de adultos, afinal, aos 25/30 já deu tempo sufienciente pra uma pessoa ser corrompida pelos males da sociedade. Mas, aos 10.. 12.. 14 anos de idade.. Fico preocupada!

Se pensarmos bem, o bullying sempre existiu. Mas será que ele entrou na moda mesmo? Será que as crianças de hoje – que já se acham adultas aos 12 – estão mesmo se tornando más em maior escala?

Não sou psicóloga, mas pra mim, esse tipo de comportamento na infância só pode ser reflexo do que se tem em casa. Numa sociedade em que os pais tem que trabalhar quase em jornada tripla pra bancar os luxos do filho exigente, a ausência, a pressa e a distância que o filho sente em relação ao pai e à mãe pode ter consequências avassaladoras. É por isso que defendo com toda a convicção que me é possível, que o planejamento familiar é um direito da mulher. A opção por colocar um ser humano no mundo não pode ser da igreja.

 

Serviço

Jeremias Nã Quer Mais Sonhar
Texto e direção: Marcos Lopes
Estrelado por: Gustavo Lázaro, Leonardo Silveira, Sarah Lopes, Milene Haddad, Litcia Orellana, Deborah Zanette, Carlos Jordão, Jean Dim e Eber Rodrigues
Duração: até 26 de março, às 18h30
Local: Teatro Ressurreição (Rua dos Jornalistas, 123, Jabaquara)
Entrada: ingressos de R$ 20 eR$ 40
Mais informações: 4003-2330

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